http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/noticia/2016/04/alexandre-kalache-o-brasileiro-e-preconceituoso-com-a-velhice-5784325.html
Envelhecer é uma novidade. Administradores públicos e profissionais de diversas áreas ainda estão tentando entender e se adaptar ao fenômeno recente de uma população que vive cada vez mais. As mudanças são impactantes dentro de casa: em famílias cada vez menores, em que as mulheres – antes as cuidadoras naturais – também passaram a trabalhar, há menos pessoas disponíveis para fazer companhia a idosos mais e mais longevos. Referência, no Brasil e no Exterior, em envelhecimento e longevidade, o médico carioca Alexandre Kalache se surpreende com ele próprio:
– Se você me dissesse, há 50 anos, que eu faria 70 anos e teria minha mãe viva com 98 anos, eu diria que era ficção científica.
Graduado no Rio, Kalache partiu para um mestrado na Inglaterra em 1975. Lá, teve um estalo: os brasileiros e o restante do mundo, a exemplo do que observava entre os ingleses, também passariam a envelhecer. Inusitada, a carreira foi construída com esse foco, provocando estranhamento. "Envelhecimento? Pirou?", questionavam-no. Durante os 34 anos em que esteve longe do país natal, Kalache se tornou doutor em Saúde Pública pela Universidade de Oxford e trabalhou por 14 anos como diretor do Programa Global de Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS). Hoje morando no Rio, ele é presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil e copresidente da Aliança Global, que reúne centros de 17 países. Segue pelo mundo, super-requisitado para conferências e consultorias. O gerontólogo fez proposições inovadoras, como a ideologia do envelhecimento ativo, segundo a qual viver bem pressupõe ter acesso a saúde, conhecimento, capital social (pessoas com quem contar) e recursos financeiros. Para ele, é fundamental sempre pensar no futuro.
– Quando a gente vivia até os 50 ou 60 anos, num passado recente, a vida era uma corrida de cem metros. Hoje a vida é uma maratona – compara.

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